LIVRO - Eu Sou Um Gato, de Natsume Soseki
“Eu sou um gato.
Ainda não tenho nome”, assim começa o livro de Natsume Soseki
publicado em 1905, escritor japonês nascido em 1867, nascido Natsume
Kinnosuke, a partir de 1887 adota o pseudônimo Soseki, que em chinês
significa “estorvo”.
A história é
contada do ponto de vista de um gato durante o período Meiji, no
Japão, acompanhando seu patético dono por aí, esse gato lê
pensamentos e despreza a falta de criatividade em seu amo, o gato não
poupa críticas ao seu amo, flagrando-o em “plena sesta” quando
todos acham que ele está estudando, o chamando de glutão e
declarando que se amo “é sempre incapaz de exibir superioridade
sobre outros humanos em qualquer coisa que se disponha a executar”,
ao mesmo tempo que lhe tem consideração, afinal, foi seu amo que
disse “deixe-o entrar”.
O gato não deixa
de ser um gato, o título deixa isso bem claro, eis a nota da edição
brasileira sobre o título: “No original, 'Wagahai wa neko de aru',
que dá título ao livro. Das muitas formas de dizer eu em japonês,
Soseki optou pelo pronome de primeira pessoa 'wagahai', cujo uso era
restrito a políticos, militares, etc., e se revestia de certa
arrogância.”
Logo no início, o
gato deixa claro quem ele é de onde vem: “Eu sou um gato. Ainda
não tenho nome. Não faço a mínima ideia de onde nasci”.
Segue-se então o encontro do gato com “aquilo a que comumente se
denomina criatura humana”, nas palavras dele e é impossível não
achar graça na impressão “desagradável” que o gato tem ao se
deparar com um rosto que “revelava a lisura de uma lata de
remédio”, ou quando o gato conclui que os humanos poderiam “andar
mais depressa, mas se contentam com apenas um par [de patas],
deixando as restantes estupidamente penduradas como bacalhaus postos
a secar”. Enfim, a dificuldade desse gato em compreender um mundo
que que não é dele parece familiar a qualquer um que conviva com
gatos, mesmo assim, esse gato mantém certo otimismo (ou senso de
humor) quando diz que os humanos “não prosperarão para sempre.
Esperemos pois pacientemente o advento da era dos felinos”.


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