Missão (miados e mais miados)

Sejam bem-vindos, vocês que são amigos de gatos também!

Aqui em casa somos todos amigos de gatos, exceto, talvez, alguns gatos (pois tem gatos que não gostam de outros gatos) e penso que seria bom compartilhar a experiência e o conhecimento que vem com ela sobre esses animais deveras temperamentais, mostrar que é possível conviver com mais de vinte gatos em casa, mantendo tudo organizado e limpo e ao mesmo tempo dar conta da vida familiar e profissional, tudo isso sem ir à falência e nem à loucura.

Somos uma pequena família humana (eu, minha esposa Gisele e meu filho Oscar) de doidos por gatos, vivemos com mais de vinte gatos em casa (24 deles, na verdade somos uma grande família humana-felina), além dos 4 cachorros (uma enorme família humana-felina-canina) e a Mika (que é uma tartaruga, ou seja, somos uma família épica humana-felina-canina-tartaruguina).


Nesse blog você encontrará informações úteis para você, seus gatos, seus filhos... ou nem tão úteis, mas com certeza divertidas.


Miau!

Calma, não somos imortais?

Esse texto foi escrito por Oltiel e foi postado originalmente no site Medium.

"A mortalidade só existe quando lembramos ou falamos dela, já perceberam isso?
Vivemos o presente sem ficar pensando na nossa eventual e inevitável morte. E, claro, ainda quando se pensa na morte, não é numa acidental ou prematura; é numa que deveria ocorrer “naturalmente” quando atingimos o ápice de nossa velhice, quando o corpo não aguenta e definha.
Voltando ao início, enquanto a morte não é comentada, somos imortais. Tudo é imortal. Escrevo esse texto por causa de um gato de estimação, o Lelo.
Mas o que houve com o Lelo? Bem, digamos que ele não esteve bem de saúde. E, vendo pelo caso dele — muito similar ao de outro gato, agora falecido — de repente meu mundo desabou. E desabou frente a um fato mais do que óbvio: ele vai morrer.
Talvez não agora ou em breve, mas um dia ele vai morrer. Um dia ele vai me deixar. Que absurdo! Como pode meu Lelinho morrer?
Novamente, vivemos uma imortalidade ilusória. Porque não sentimos necessidade de lembrar a todo segundo que a morte é o destino final. E que insuportável seria ficar lembrando isso. Mas a questão real não é essa.
A questão é que eu estava até agora vivendo como se essa criatura peluda e amarela e fofa fosse me acompanhar pelo resto da vida. Da minha vida. E porra, olha como sou; ignorei o fato deque um gato não vive o mesmo tempo que um ser humano vive em média.
E aqui estava eu vivendo o momento como se Lelo fosse estar junto comigo por anos e anos e anos e mais anos.
Esse gato me irrita às vezes. Ele mia alto, mia muito, pede para eu abrir a porta do quarto e fica me olhando, me engana pedindo pra sair do quarto e aí rouba minha poltrona. E ele é arisco, não posso nem pegar o bendito no colo.
De repente, eu me vi perdendo tudo isso…
Por uns momentos visualizei eu num mundo onde não tem um gato chato miando na porta do quarto e roubando minha poltrona. Nem abrindo as portas (sim, ele sabe abrir porta). Um mundo onde não tem um gato chato me encarando enquanto escovo os dentes. Ou rolando no chão, fazendo graça. Ou rolando na minha cama, pedindo carinho na barriguinha. Ou se enfiando na coberta dobrada que deixo no final da cama (e ele faz isso até no calor!).
De repente, o Lelo se tornou o que ele sempre foi, e o que também sou: um ser mortal. Algo que nasce, cresce, vive e morre. Algo que não dura.
Às vezes fantasiamos com a imortalidade. Ficamos imaginando como seria “bom” que as pessoas e nossos bichinhos durassem para sempre. Que nós durássemos para sempre. Mas não, isso seria horrível. Tudo está fadado a acabar. E que bom que as coisas acabam!
Que bom que os dinossauros acabaram. Que bom que a Idade das Trevas acabou. Que bom que o Orkut acabou. Que bom que o Pânico na TV acabou.
Tudo tem que acabar. Lelo tem que acabar. Eu tenho que acabar.
E talvez a imortalidade exista, mas ela não é orgânica. Ela é simbólica. Metafísica, talvez? Se raciocinarmos que o passado não muda, o Lelo sempre existirá nas linhas temporais do Universo; nada pode apagar a existência dele.
E mesmo que ele morra, eu sempre lembrarei dele. Eu sou um registro da existência dele. Eu sempre saberei que ele existiu, que eu e ele compartilhamos anos juntos.
O mesmo ocorre com as pessoas; elas se tornam imortais quando são lembradas. Quanta gente já não virou poeira e ainda tem seu nome citado por aí? A História imortaliza!
Por fim, realmente, tenho que estar pronto para perdê-lo. Isso se eu não cair naquelas probabilidades azarentas e acabar morrendo antes dele. Mas não vou considerar isso. A mensagem aqui é que eu lembrei da mortalidade. Ela está aí. Ela é o fim. Ela não é boa ou má, ela é o que é.
Minha tia acredita que ele possa ser tratado. Assim ele poderá aproveitar mais sua vida e nós poderemos aproveitar mais sua companhia. E espero que ele tenha uma boa velhice. Que ele vá quando tiver que ir.
No momento, ele passa bem. Continua sendo um chato. Um chato que não é imortal. Mas meu chatinho."

by lzlsanatomy

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